O sertão paraibano tem o dom de nos surpreender quando pensamos que já conhecemos seu horizonte. No último final de semana, eu e minha esposa, Joselma, partimos em direção às terras altas da Serra do Teixeira, em uma viagem que começou com o frescor do entardecer e terminou no ponto mais próximo do céu em nosso estado.
Chegamos a Teixeira no início da noite de sábado. A cidade, que repousa sobre o planalto, nos recebeu com a hospitalidade silenciosa das cidades do interior. Após o check-in no Hotel da Serra, o ritual foi simples e autêntico: um jantar em uma lanchonete local, onde o burburinho dos moradores e o clima ameno da altitude nos deram as boas-vindas.


No domingo, o sol mal havia começado a iluminar as fachadas do centro quando saímos para caminhar. Há uma poesia particular em ver uma cidade acordar. Mas nosso destino principal era o Encontro Técnico Ecológico de Radioamadores, realizado no Posto Pedra do Galo. Para quem vive a paixão pelas ondas de rádio, esses encontros são mais que técnicos; são reuniões de velhos amigos que, muitas vezes, só se conhecem pela voz e pelo código.

Foi ali, entre antenas e frequências, que a viagem tomou um rumo inesperado e grandioso.
A Ascensão ao Gigante de Pedra
Graças a uma oportunidade única durante o evento, fomos convidados a subir ao Pico do Jabre, o ponto culminante da Paraíba, com quase 1.200 metros de altitude. O privilégio foi redobrado: fomos guiados por uma equipe de agentes federais do ICMBio, os guardiões dessa reserva ecológica vital.

A subida não foi apenas um deslocamento geográfico, mas uma imersão educativa. Na companhia do Pastor Urbano e sua esposa, a senhora Socorro, e do experiente radioamador João Barros, testemunhamos a transição da paisagem. À medida que subíamos, a vegetação se tornava mais densa e o ar, mais puro. Os agentes do ICMBio desvelaram para nós as riquezas naturais da Serra do Teixeira — uma biodiversidade que resiste e floresce, escondida nas fendas das rochas e na sombra das matas serranas.
Lá no topo, o rádio e a natureza se fundiram. Enquanto João Barros compartilhava sua vasta experiência técnica, o cenário ao redor nos lembrava da nossa pequenez diante da criação. Estar no Pico do Jabre é como ter a Paraíba inteira emoldurada em uma fotografia de 360 graus.

Descemos a serra com a alma cheia. Mais do que uma viagem de final de semana, levamos na bagagem a certeza de que, seja através das ondas do rádio ou das trilhas de uma reserva ecológica, o que realmente importa são as conexões que fazemos — com a terra, com a história e com as pessoas que cruzam nosso caminho.

Blog do Léo Ferreira


