A política de Lagoa de Dentro sempre foi marcada por disputas intensas entre seus principais grupos. Durante décadas, eleições estaduais e municipais foram construídas sobre palanques distintos, rivalidades históricas e estratégias que dividiam o eleitorado. No entanto, o cenário que se desenha para 2026 pode representar uma das maiores mudanças da história política do município.
Pela primeira vez, os três principais líderes políticos da cidade — o prefeito Camaf Douglas e os ex-prefeitos Zezinho da Rapadura e Fabiano Pedro — deverão caminhar em torno de um mesmo projeto para o Governo da Paraíba: o apoio ao governador Lucas Ribeiro. Esse movimento ocorre mesmo permanecendo em campos políticos diferentes dentro da realidade local e sem uma unificação de seus grupos municipais. O apoio de Camaf a Lucas Ribeiro já foi anunciado publicamente.
A novidade chama atenção porque rompe uma tradição local. Nas últimas eleições, Camaf, Zezinho e Fabiano protagonizaram uma disputa bastante equilibrada pelo comando do município, evidenciando a força política dos três grupos. O resultado das urnas mostrou um cenário competitivo, com Camaf eleito e Zezinho e Fabiano mantendo expressiva votação.
Mais interessante ainda é observar que, embora compartilhem o mesmo candidato ao Governo do Estado, cada grupo deverá manter sua própria identidade política. Isso significa que o eleitor poderá encontrar, em um mesmo município, diferentes palanques locais defendendo o mesmo projeto estadual.
Nesse contexto, o prefeito Camaf Douglas parece largar em posição privilegiada. Além de comandar a administração municipal, ele mantém uma relação política próxima com Lucas Ribeiro e também com lideranças influentes da política paraibana, como Hugo Motta, Nabor Wanderley e o senador Veneziano Vital. Essa rede de alianças pode ampliar o espaço institucional de Lagoa de Dentro caso Lucas Ribeiro seja eleito governador. Registros recentes mostram a aproximação entre Camaf e Lucas Ribeiro em agendas públicas e no anúncio do apoio político.
Isso não significa, necessariamente, que os demais grupos perderão protagonismo. Pelo contrário. Caso Lucas Ribeiro alcance o Palácio da Redenção, Zezinho da Rapadura e Fabiano Pedro também poderão reivindicar participação por terem contribuído para sua votação no município. A diferença poderá estar justamente no peso político de cada liderança junto ao futuro governo estadual, considerando quem possui maior interlocução e capacidade de articulação institucional.
Enquanto isso, outros nomes que disputam espaço na sucessão estadual, como Cícero Lucena, encontram apoio apenas em pequenos grupos políticos locais. Embora essas lideranças tenham importância dentro de seus segmentos, sua capacidade de influência eleitoral, pelo menos neste momento, parece ser inferior à dos três grupos tradicionais que historicamente concentram a maior parte do eleitorado de Lagoa de Dentro.
O cenário ainda pode sofrer mudanças até a campanha oficial, afinal a política é dinâmica e alianças são constantemente revistas. Entretanto, se essa configuração for mantida, Lagoa de Dentro viverá um fato inédito: seus três maiores líderes políticos estarão, pela primeira vez, pedindo votos para o mesmo candidato ao Governo da Paraíba, mesmo permanecendo em palanques municipais distintos.
Mais do que uma curiosidade eleitoral, esse movimento revela uma nova lógica política, em que interesses administrativos, acesso institucional e capacidade de articulação podem falar mais alto do que as antigas divisões partidárias. Resta saber se essa convergência estadual abrirá caminho para uma relação política mais cooperativa entre os grupos locais ou se a disputa municipal continuará sendo o principal fator de divisão da política lagoadentrense.





