As baixas de Veneziano: perda de apoios acende sinal de alerta na disputa pelo Senado

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A campanha do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) à reeleição ao Senado pela Paraíba entrou em uma fase que exige atenção redobrada de sua equipe política.

Nas últimas semanas, o candidato acumulou uma sequência de perdas de apoios importantes em diferentes regiões do Estado. Prefeitos e lideranças que anteriormente declaravam voto em Veneziano passaram a anunciar apoio a outras candidaturas, especialmente às de João Azevêdo (PSB) e Nabor Wanderley (Republicanos).

Segundo levantamento publicado pelo portal Política da Paraíba, as mudanças chegaram a 13 prefeitos em apenas uma semana. Entre os nomes citados estão gestores de municípios como Piancó, Bayeux, Serra Branca, Alagoinha, Lagoa de Dentro, Cruz do Espírito Santo, Fagundes e Igaracy.

Mais do que o número absoluto de prefeitos, o que chama a atenção é a velocidade dessas mudanças.

Em uma eleição para o Senado, na qual o eleitor escolhe dois nomes, a estrutura política municipal continua tendo peso relevante. Prefeitos, vereadores, deputados e lideranças locais ajudam a organizar palanques, mobilizar eleitores e ampliar a presença das candidaturas nos municípios.

Por isso, uma sequência de adesões em sentido contrário pode representar mais do que uma simples troca de declaração de voto. Pode indicar uma reorganização das forças políticas que sustentam determinada candidatura.

O problema é maior do que uma fotografia de pesquisa?

Há, entretanto, uma diferença importante entre perda de apoios políticos e perda imediata de votos.

Uma coisa não significa automaticamente a outra.

Um prefeito pode mudar sua posição e parte do eleitorado daquele município continuar votando no candidato anteriormente apoiado. Da mesma forma, uma liderança pode declarar apoio a uma chapa sem conseguir transferir integralmente sua força eleitoral.

É justamente por isso que as pesquisas continuam sendo importantes para medir se as mudanças políticas estão ou não produzindo efeitos sobre o eleitor.

E os números mais recentes da Quaest mostram um cenário que merece ser acompanhado.

Na pesquisa divulgada em 22 de setembro, João Azevêdo apareceu com 28% das intenções de voto no cenário agregado, Veneziano com 18% e Nabor Wanderley com 12%. Na rodada anterior, realizada em agosto, os números eram 27%, 17% e 9%, respectivamente. A pesquisa ouviu 804 pessoas entre 18 e 21 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.

Ou seja: Veneziano ainda aparece em segundo lugar no levantamento, e seus 18% não permitem afirmar que a candidatura tenha entrado em colapso.

Mas existe outro dado que chama atenção.

Quando a pesquisa separa o primeiro e o segundo voto para o Senado, Veneziano aparece com 16% entre aqueles que apontam seu primeiro voto e 20% entre os que o colocam como segundo voto. Nabor, por sua vez, aparece com 8% no primeiro voto e 15% no segundo.

Isso ajuda a compreender a natureza da disputa: não basta estar entre os nomes mais lembrados. Como serão eleitos dois senadores, a capacidade de formar uma combinação de votos também será decisiva.

A força das alianças está mudando?

Esse talvez seja o principal ponto político a ser observado.

Veneziano chegou à disputa com uma trajetória consolidada e com o apoio declarado do presidente Lula. O presidente chegou a gravar mensagem defendendo a recondução do senador ao Senado.

Apesar disso, a campanha vem enfrentando movimentos de lideranças municipais em direção a outras candidaturas.

Em Bayeux, por exemplo, a prefeita Tacyana Leitão retirou o apoio a Veneziano e anunciou João Azevêdo e Nabor Wanderley como seus dois candidatos ao Senado.

Em Piancó, o prefeito Julhinho, o ex-prefeito Daniel Galdino e a ex-prefeita Flávia Galdino também passaram a apoiar Nabor, representando uma perda para Veneziano em uma região onde anteriormente havia construído articulações.

Em Serra Branca, o prefeito Michel Alexandre anunciou apoio a João Azevêdo e Nabor, deixando de apoiar Veneziano.

O movimento, portanto, não está concentrado em apenas uma cidade ou região.

O que essas baixas podem representar?

É preciso separar duas questões.

A primeira é eleitoral: as perdas de prefeitos e lideranças podem reduzir a capacidade de mobilização da campanha nos municípios.

A segunda é política: uma sequência de deserções pode estimular novas mudanças de apoio, especialmente quando outras candidaturas começam a transmitir a imagem de que estão reunindo uma estrutura municipal mais ampla.

É o chamado efeito de movimento: uma liderança muda de lado, outras passam a avaliar a possibilidade de fazer o mesmo e a disputa pode adquirir uma dinâmica diferente.

Isso não significa que todas as perdas resultarão em votos perdidos. Mas significa que a campanha de Veneziano precisa impedir que a sequência de baixas se transforme em uma percepção generalizada de perda de força.

O histórico da reeleição na Paraíba

Existe ainda um elemento histórico interessante nessa disputa.

Não é correto dizer que nenhum senador conseguiu se reeleger na Paraíba.

De acordo com levantamento da Agência Senado, baseado nos dados eleitorais históricos, três senadores paraibanos conseguiram reeleição desde 1945: Rui Carneiro, Argemiro de Figueiredo e Humberto Lucena.

Humberto Lucena, inclusive, conseguiu retornar ao Senado em diferentes eleições e permaneceu no cargo até seu falecimento, em 1998.

O que os dados históricos mostram, portanto, é outra coisa: a reeleição de senadores na Paraíba é possível, mas não tem sido frequente.

Esse histórico ganha importância em 2026 porque Veneziano tenta justamente repetir um movimento que poucos senadores paraibanos conseguiram concretizar.

O risco aumentou?

A resposta precisa ser cuidadosa.

Os dados disponíveis não permitem afirmar que Veneziano perdeu a eleição ou que esteja fora da disputa. Pelo contrário: a pesquisa Quaest mais recente o mantém na segunda colocação no cenário agregado, atrás de João Azevêdo.

Mas também seria difícil ignorar a sequência de perdas políticas.

A combinação entre perda de apoios municipais, crescimento de adversários e proximidade da reta final cria um cenário mais exigente para a campanha.

A questão central passa a ser saber se Veneziano conseguirá transformar sua vantagem de conhecimento e sua posição nas pesquisas em votos suficientes para permanecer entre os dois mais votados.

E existe uma pergunta que começa a ganhar espaço nos bastidores:

As recentes baixas representam apenas ajustes naturais das alianças na reta final ou são o início de uma mudança mais profunda na correlação de forças da eleição para o Senado?

A resposta dependerá menos das declarações dos dirigentes partidários e mais daquilo que acontecer nas próximas pesquisas e, principalmente, nas urnas.

Por enquanto, o cenário permite duas constatações simultâneas: Veneziano continua competitivo, mas sua campanha enfrenta uma sequência de movimentos políticos que não pode ser tratada como irrelevante.

E é justamente essa combinação — candidatura ainda competitiva, mas com perda acelerada de apoios políticos — que torna a disputa pelo Senado paraibano uma das mais abertas e acompanhadas da reta final das eleições de 2026.

 

Léo Ferreira

Radialista e Bacharel em Jornalismo pela Estácio de Sá do Rio de Janeiro, RJ.